terça-feira, 10 de maio de 2011

Há dias em que um homem se sente tão sozinho, que se abraça à própria camisa...

Hoje é um desses dias...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

"12 Frases Para Viver"

1- Quero-te não po quem és, mas por quem sou quando estou contigo.
2- Ninguém merece as tua lágrimas e quem as merece não te fará chorar.
3- Só porque alguém não te ama como tu queres, não significa que não te ame com toda a sua alma.
4- Um verdadeiro amigo é aquele que pega na tua mão e te toca o coração.
5- A pior forma de se sentir a falta de uma pessoa é estar sentada ao seu lado e saber que nunca a vais poder ter.
6-Nunca deixes de sorrir, nem sequer quando estás triste porque nunca sabes quem se poderá apaixonar pelo teu sorriso.
7- Podes ser simplesmente uma pessoa para o mundo, mas para alguém o mundo és tu.
8- Não passes o tempo com alguém que não esteja disposto a passá-lo contigo.
9- Quem sabe Deus quer que conheças muita gente errada antes de conheceres a pessoa certa, para que quando finalmente a conheceres, saibas estar agradecido.
10- Não chores porque acabou, sorri porque aconteceu.
11- Haverá sempre quem te desiluda, assim o que tens de fazer é seguir confiando e só ser mais cuidadoso em quem confias duas vezes.
12- Naõ te esforces tanto, as melhores coisas acontecem quando menso esperas.

Gabriel Garcia Márquez

quinta-feira, 7 de abril de 2011

As casas e os quartos estão repletos de perfumes,as prateleiras estão repletas de perfumes,
Eu próprio aspiro essa fragância, conheço-a e gosto dela,
Eu próprio dela poderia embriagar-me, mas não o pemitirei.
A atmosfera não é um perfume, não sabe a emanação alguma, é inodora,
Para sempre ficará na minha boca, por ela me apaixonei,
Irei ao rio junto ao bosque e despojar-me-ei de disfarces e roupas,
Estou louco por entrar em contacto com ela.
O fumo da minha própria respiração,
Ecos, ondulações, murmúrios e sussurros, raiz do amor, fio de seda, forquilha e vide,
A minha respiração e inspiração, o bater do coração, o sangue e o ar que passam pelos meus pulmões,

O odor das folhas verdes e das folhas secas,da praia e das rochas escuras do mar, e do feno no celeiro,
O som das palavras que a minha voz atira aos remoinhos do vento,
Alguns beijos leves, alguns abraços, os braços à volta de um corpo.
O jogo de luz e sombra nas árvores com os dóceis ramos balouçando,
O prazer de estar só ou no tumulto das ruas, ou pelos campos e colinas,
A sensação de saúde, os gorjeios do grande meio-dia, o meu canto ao levantar-me da cama e encontrar o sol.

Achas que mil acres são muito? Achas que a Terra é muita?
Praticaste o necessário para aprender a ler?
Sentiste-te orgulhoso por captar o sentido dos poemas?

Fica comigo este dia e esta noite e possuirás a origem de todos od poemas,
Possuirás o que há de bom na Terra e no Sol ( há milhões de sóis),
Não terás coisas em segunda ou terceira mão, nem verás pelos olhos dos mortos,nem te alimentarás dos espectros dos livros,
Nem através dos meus olhos verás, nem de mim terás as coisas,
Escutarás tudo e todos e tudo em ti ficará.

Walt Whitman
A infelicidade é na mulher, como a incredulidade num padre, o último termo das traições humanas; é para ela o maior crime social, pois para ela, implica todos os outros.

Diderot

quarta-feira, 6 de abril de 2011

(...)

Não. O que disseste à pouco, compreendes. Sobre sabermos onde estamos.
Ele fitou-a. Ao fim de algum tempo,disse: A questão não é sabermos onde estamos. A questão é pensarmos que chegámos a esse lugar sem levarmos nada connosco. As tuas ideias sobre começar de novo. As tuas ou as de qualquer outra pessoa. Ninguém começa de novo. Eis o fundo da questão. cada passo que damos é definitivo. Não o podemos apagar. Nem um bocadinho. Percebes o que estou a dizer?
Acho que sim.
Eu sei que não estás a perceber, mas deixa-me tentar mais uma vez. Tu pensas que, quando acordas de manhã, o dia de ontem não conta. Mas o dia de ontem é tudo o que realmente interessa. Que mais existe? a tua vida é feita dos dias que a compõem. Nada mais. talvez julgasses que podias fugir e mudar de nome e não sei mais o quê. Começar de novo. Até que, certa manhã, acordas e olhas para o tecto e adivinha quem ali está estendido?
Ela assentiu com a cabeça.
Percebes o que eu estou a dizer?
Percebo, sim. Já passei por isso.
Pois, eu sei.

(...)

in Este País Não é Para Velhos Cormac McCarthy

segunda-feira, 4 de abril de 2011

http://www.youtube.com/watch?v=eWymO8-UXeA&feature=related

Mudemos de Assunto

Andas aí a partir corações
como quem parte um baralho de cartas
cartas de amor
escrevi-te eu tantas
às tantas, aos poucos
às tantas, aos poucos
eu fui percebendo
às tantas eu lá fui tacteando
às cegas eu lá fui conseguindo
às cegas eu lá fui abrindo os olhos

E nos teus olhos como espelhos partidos
quis inventar uma outra narrativa
até que um ai me chegou aos ouvidos
e era só eu a vogar à deriva
e um animal sempre foge do fogo
e eu mal gritei: fogo!
mal eu gritei: água!
que morro de sede
achei-me encostado à parede
gritando: Livrai-me da sede!
e o mar inteiro entrou na minha casa

E nos teus olhos inundados do mar
eu naveguei contra minha vontade
mas deixa lá, que este barco a viajar
há-de chegar à gare da sua cidade
e ao desembarque a terra será mais firme
há quem afirme
há quem assegure
que é depois da vida
que a gente encontra a paz prometida
por mim marquei-lhe encontro na vida
marquei-lhe encontro ao fim da tempestade

Da tempestade, o que se teve em comum
é aquilo que nos separa depois
e os barcos passam a ser um e um
onde uma vez quiseram quase ser dois
e a tempestade deixa o mar encrespado
por isso cuidado
mesmo muito cuidado
que é frágil o pano
que veste as velas do desengano
que nos empurra em novo oceano
frágil e resistente ao mesmo tempo

Mas isto é um canto
e não um lamento
já disse o que sinto
agora façamos o ponto
e mudemos de assunto
sim?

Andas aí a partir corações
como quem parte um baralho de cartas
cartas de amor
escrevi-te eu tantas
às tantas, aos poucos
às tantas, aos poucos
eu fui percebendo
às tantas eu lá fui tacteando
às cegas eu lá fui conseguindo
às cegas eu lá fui abrindo os olhos

E nos teus olhos como espelhos partidos
quis inventar uma outra narrativa
até que um ai me chegou aos ouvidos
e era só eu a vogar à deriva
e um animal sempre foge do fogo
e eu mal gritei: fogo!
mal eu gritei: água!
que morro de sede
achei-me encostado à parede
gritando: Livrai-me da sede!
e o mar inteiro entrou na minha casa

E nos teus olhos inundados do mar
eu naveguei contra minha vontade
mas deixa lá, que este barco a viajar
há-de chegar à gare da sua cidade
e ao desembarque a terra será mais firme
há quem afirme
há quem assegure
que é depois da vida
que a gente encontra a paz prometida
por mim marquei-lhe encontro na vida
marquei-lhe encontro ao fim da tempestade

Da tempestade, o que se teve em comum
é aquilo que nos separa depois
e os barcos passam a ser um e um
onde uma vez quiseram quase ser dois
e a tempestade deixa o mar encrespado
por isso cuidado
mesmo muito cuidado
que é frágil o pano
que veste as velas do desengano
que nos empurra em novo oceano
frágil e resistente ao mesmo tempo

Mas isto é um canto
e não um lamento
já disse o que sinto
agora façamos o ponto
e mudemos de assunto
sim?

Sérgio Godinho

domingo, 3 de abril de 2011

"Para mim, o romancista é o historiador do presente, enquanto o historiador é o romancista do passado."


Georges Duhamel

sábado, 2 de abril de 2011

Amo-te

Por todas as mulheres que eu não conheci te amo
Amo-te por todos os tempos que não vivi
Pelo cheiro a mar alto e pão quente
Pela neve que funde para as primeiras flores
Pelos animais puros que o homem não assusta
Para amar gosto de ti e faço amor
Amo-te por todas as mulheres de que não gosto

Quem me reflecte se não fores tu vejo tão pouco
Sem ti tudo o que vejo é uma extensão deserta
Entre outrora hora e agora
Houve todas essa mortes porque passei miserável
Não consegui prescrutar a parede do espelho que me reflecte
Tive de aprender a vida palavra após palavra
Como quem se esquece

Gosto de ti pelo teu bom senso que não é o meu
Por seres saudável
Gosto de ti contra o que não passa de d'ilusão
Por esse coração imortal que não detenho
Tu imaginas ser a dúvida e és só a razão
Tu és o grande sol que me sobe à cabeça
Quando a confiança em mim não falha em mim.

Paul Éluard

quarta-feira, 30 de março de 2011

O conflito entre o Amor e o Dever

Abraçar a sua solidão é entender-se consigo próprio. E este trabalho, cada um tem de fazer individualmente. Quando eu, para não fazer esse trabalho de autoconhecimento, tento encontrar a resposta noutra pessoa, dificilmente viverei um amor verdadeiro, porque estou apenas a tentar tapar um buraco meu, pessoal, através do outro. Pessoalmente, acho perigosos ir buscar outra pessoa para tapar um buraco meu. Não sei qual é a diferença entre isso e roubar carteiras no metro. Uma relação de amor verdadeira ajuda a dar sentdo aos nossos medos e às nossas necessidade de crescimento e a vivê-los de uma forma não angustiada. O verdadeiro amor torna-se capaz de caminhar sobre os seus próprios pés. Não alimenta uma depêndencia.
Quando falo disto, vem-me muito à mente a imagem de uma ponte em que cada lado se mantém amparado apenas no outro lado.Não pode ser. cada lado tem de estar bem firme no seu próprio pilar para depois se poder fazer um tabuleiro de ligação. Quando cada um dos lados se ampara no outo, surgem as dependências, que é aldo muito parecido com o amor, mas que de facto é o seu oposto. E nesse plano dizem-se coisas como: « Eu amo-a muito, porque não posso viver sem ela» Mas, como dizia um rapaz que conheço: « Não posso viver sem ti não é a definição de amor, é a definição de pacemaker.»

Padre Nuno Tomar de Lemos
Uma pessoa capaz de amar de forma produtiva também se ama a si mesma; uma pessoa que apenas ama os outros é incapaz de amar.

Erich Fromm
in A Arte de Amar

Estou a aprender a Amar de forma produtiva, em continuidade a uma conversa de hoje...

segunda-feira, 28 de março de 2011

Para mi corazón
basta tu pecho,
para tu libertad
bastan mis alas.

Pablo Neruda

sexta-feira, 25 de março de 2011

Gosto...

Gosto do sol e do calor.

Gosto de caminhar pela praia e sentir os pés a afundarem-se na areia.

Gosto de caminhar à beira mar enquanto falo sobre a vida.

Gosto do som das gargalhas.

Gosto da banda sonora do meu carro e cantar a plenos pulmões enquanto conduzo.

Gosto de cumplicidades.

Gosto de chorar de tanto rir.

Gosto de estar num sitio, com várias pessoas, mas que exista uma em que basta um olhar, em que saibamos o que pensamos ou sentimos, sem necessidade de verbalizações.

Gosto de conduzir.

Gosto de andar em transportes publicos que me permitam ler.

Gosto de estar deitada na minha cama e olhar para os meus livros e recordar-me do momento em que li cada um deles, o que estava a acontecer na minha vida, em um detreminado momento e das sensações que me transmitiram.

Gosto de ir sozinha ao cinema.

Gosto dos filmes que me fazem pensar.

Gosto do silêncio e das pessoas com as quais não me sinto incomodada com o mesmo.

Gosto de um abraço que me faça sentir segura.

Gosto de não fazer nada ao Domingo e gosto de quem partilha o mesmo gosto que eu.

Gosto de pessoas, com principios, ideias, que se preocupam em não magoar os outros.

Gosto de pessoas que gostam de livros.

Gosto de Homens intelectualmente estimulantes, em detrimento dos homens fisicamente interessantes.

Gosto de reflectir sobre a vida e os comportamentos.

Gosto das tardes de Primavera em que os dias são maiores.

Gosto do cheiro dos livros novos.

Gosto de comprar livros na feira da ladra, imaginar a história dos antigos donos, o que sentiram quando leram o livro e em que o mesmo contribuiu para a sua vida.

Gosto de rir alto, quando tenho vontade.

Gosto de pensar no passado e sonhar com o futuro.

Gosto de Gostar...
Ele disse que não ia magoar-me, mas magoou-me.

Ele deixou espaço dentro de mim.

Não há lá nada.

in A recordação de Kirty Gunn

E Não se Pode Matá-los?

A violência pode atingir-nos explosivamente, fisicamente,directamente. Mas pode também increver-se nas nossas vidas, nos nossos imaginários, no nosso quotidiano através de mil imagnes subtis de que não tomamos consciência a não ser quando a sua acumulação atinge um ponto de efervescência que domina todos os gestos, pensamentos atitudes.
É uma peça sobre a violência no qoutiniano, no espaço doméstico, no círculo familiar. Mas a familia funciona aqui como microcosmos de um mundo mais vasto, que é o mundo onde vivemos. A peça transforma-se numa leitura clinica dos sintomas da violênciana sociedade contemporânea a partir das pequenas células individuais e colectivas: as relações familiares, os gestos fragmentados de uma sociedade que se persegue a si própria, os sonhos de heroicidades recalcadas, os rituais educativos, o fervor religioso, os passatempos sociais, os mitos desenhados das simbólicas dos media e os shows telivisivos encenam nesta peça a violência que se respira na pele, na atmosfera, nos espaços urbanos, nos inconscientes mais intimos.
Esta peça é, ao mesmo tempo um drama e uma comédia. Uma sátira e uma tragédia . O seu humor é um humor corrosivo. Faz explodir um riso que nos rasga por dentro. Que nasce de um ácido que a sociedade destila e que desliza, quase imperceptível, no tecto, nas paredes e nos soalhos das casas que habitamos.
Parece banda desenhada. Mas não é. É a vida.
A nossa vida quotidiana.

João Maria André


É bom rirmo-nos de nós próprios, é terrível ou benéfico.

É fácil falar dos outros, é fácil dizer que há uma crise económica, mas nada é verdade.
A crise, é uma crise de valores, a corrupção, a especulação, a violência tanto no quotidiano como na familia, não são mais do que um passo para aceitarmos que somos bárbaros.

Temos que aprender, urgentemente, a renascer.

O medo está instalado na nossa sociedade. As pessoas mais idosas vêm ao teatro às matinées porque têm medo de sair à noite.

Quando o medo se instala na sociedade, é perigoso. Quando não há respeito ou amor pelo outro, significa que estmos em queda.

É preciso aprender a renascer.

Uma das funções do Teatro é inquietar e alertar.
Viver é maravilhoso, mas incomoda.

É bom rirmo-nos de nós próprios.

João Mota

Aconselho vivamente a peça, que está na Comuna até dia três de Abril.
Mesmo para os mais pragmáticos, que utilizam os valores astronómicos de uma ida ao teatro, como ouvi hoje numa esplanada.
- Duas pessoas irem ao teatro,com um jantar não fica em menos de 80 euros!
- Mas agora, nos centros comercias, podemos ir ao Cinema e jantar por 9 euros- respondia a amiga.

Surpreendemente eu fui ao Teatro e jantei com os mesmos 9 euros, senão vejamos: Bifana- 2 euros
Imperial: 0.90
Café: 0.55;
Bilhete de Teatro: 5 euros( à quarta e à quinta é o preço do bilhete na Comuna), com a vantagem de não estar fechada num centro comercial...
Sou tão mais rica por ter visto esta peça...

quinta-feira, 24 de março de 2011

Uma dedicatória para não esquecer

Os meninos que me perdoem por dedicar este livro a uma pessoa grande.Mas tenho uma desculpade peso: essa pessoa grande é o melhor amigo que tenho no mundo inteiro. E tenho outra desculpa : essa pessoa grande é capaz de perceber tudo, mesmo os livros para crianças. E tenho outra desculpa, a terceira: essa pessoa grande mora em França e em França passa fome e passa frio. Bem precisa de ser consolada. Mas se todas estas desculpas não chegarem, então, gostava de dedicar este livro à criança que cada pessoa grande já foi. Porque todas as pessoas grandes já foram crianças. ( Há é poucas que se lembrem disso.) Portanto, a minha dedicatória vai passar a ser assim:
Para Léon Werth quando ele era pequeno.

Antoine Saint- Exupéry

E há forma mais doce de nos obrigar a não esquecer?