sábado, 2 de abril de 2011

Amo-te

Por todas as mulheres que eu não conheci te amo
Amo-te por todos os tempos que não vivi
Pelo cheiro a mar alto e pão quente
Pela neve que funde para as primeiras flores
Pelos animais puros que o homem não assusta
Para amar gosto de ti e faço amor
Amo-te por todas as mulheres de que não gosto

Quem me reflecte se não fores tu vejo tão pouco
Sem ti tudo o que vejo é uma extensão deserta
Entre outrora hora e agora
Houve todas essa mortes porque passei miserável
Não consegui prescrutar a parede do espelho que me reflecte
Tive de aprender a vida palavra após palavra
Como quem se esquece

Gosto de ti pelo teu bom senso que não é o meu
Por seres saudável
Gosto de ti contra o que não passa de d'ilusão
Por esse coração imortal que não detenho
Tu imaginas ser a dúvida e és só a razão
Tu és o grande sol que me sobe à cabeça
Quando a confiança em mim não falha em mim.

Paul Éluard

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