A violência pode atingir-nos explosivamente, fisicamente,directamente. Mas pode também increver-se nas nossas vidas, nos nossos imaginários, no nosso quotidiano através de mil imagnes subtis de que não tomamos consciência a não ser quando a sua acumulação atinge um ponto de efervescência que domina todos os gestos, pensamentos atitudes.
É uma peça sobre a violência no qoutiniano, no espaço doméstico, no círculo familiar. Mas a familia funciona aqui como microcosmos de um mundo mais vasto, que é o mundo onde vivemos. A peça transforma-se numa leitura clinica dos sintomas da violênciana sociedade contemporânea a partir das pequenas células individuais e colectivas: as relações familiares, os gestos fragmentados de uma sociedade que se persegue a si própria, os sonhos de heroicidades recalcadas, os rituais educativos, o fervor religioso, os passatempos sociais, os mitos desenhados das simbólicas dos media e os shows telivisivos encenam nesta peça a violência que se respira na pele, na atmosfera, nos espaços urbanos, nos inconscientes mais intimos.
Esta peça é, ao mesmo tempo um drama e uma comédia. Uma sátira e uma tragédia . O seu humor é um humor corrosivo. Faz explodir um riso que nos rasga por dentro. Que nasce de um ácido que a sociedade destila e que desliza, quase imperceptível, no tecto, nas paredes e nos soalhos das casas que habitamos.
Parece banda desenhada. Mas não é. É a vida.
A nossa vida quotidiana.
João Maria André
É bom rirmo-nos de nós próprios, é terrível ou benéfico.
É fácil falar dos outros, é fácil dizer que há uma crise económica, mas nada é verdade.
A crise, é uma crise de valores, a corrupção, a especulação, a violência tanto no quotidiano como na familia, não são mais do que um passo para aceitarmos que somos bárbaros.
Temos que aprender, urgentemente, a renascer.
O medo está instalado na nossa sociedade. As pessoas mais idosas vêm ao teatro às matinées porque têm medo de sair à noite.
Quando o medo se instala na sociedade, é perigoso. Quando não há respeito ou amor pelo outro, significa que estmos em queda.
É preciso aprender a renascer.
Uma das funções do Teatro é inquietar e alertar.
Viver é maravilhoso, mas incomoda.
É bom rirmo-nos de nós próprios.
João Mota
Aconselho vivamente a peça, que está na Comuna até dia três de Abril.
Mesmo para os mais pragmáticos, que utilizam os valores astronómicos de uma ida ao teatro, como ouvi hoje numa esplanada.
- Duas pessoas irem ao teatro,com um jantar não fica em menos de 80 euros!
- Mas agora, nos centros comercias, podemos ir ao Cinema e jantar por 9 euros- respondia a amiga.
Surpreendemente eu fui ao Teatro e jantei com os mesmos 9 euros, senão vejamos: Bifana- 2 euros
Imperial: 0.90
Café: 0.55;
Bilhete de Teatro: 5 euros( à quarta e à quinta é o preço do bilhete na Comuna), com a vantagem de não estar fechada num centro comercial...
Sou tão mais rica por ter visto esta peça...
Sem comentários:
Enviar um comentário