quarta-feira, 6 de abril de 2011

(...)

Não. O que disseste à pouco, compreendes. Sobre sabermos onde estamos.
Ele fitou-a. Ao fim de algum tempo,disse: A questão não é sabermos onde estamos. A questão é pensarmos que chegámos a esse lugar sem levarmos nada connosco. As tuas ideias sobre começar de novo. As tuas ou as de qualquer outra pessoa. Ninguém começa de novo. Eis o fundo da questão. cada passo que damos é definitivo. Não o podemos apagar. Nem um bocadinho. Percebes o que estou a dizer?
Acho que sim.
Eu sei que não estás a perceber, mas deixa-me tentar mais uma vez. Tu pensas que, quando acordas de manhã, o dia de ontem não conta. Mas o dia de ontem é tudo o que realmente interessa. Que mais existe? a tua vida é feita dos dias que a compõem. Nada mais. talvez julgasses que podias fugir e mudar de nome e não sei mais o quê. Começar de novo. Até que, certa manhã, acordas e olhas para o tecto e adivinha quem ali está estendido?
Ela assentiu com a cabeça.
Percebes o que eu estou a dizer?
Percebo, sim. Já passei por isso.
Pois, eu sei.

(...)

in Este País Não é Para Velhos Cormac McCarthy

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