Abraçar a sua solidão é entender-se consigo próprio. E este trabalho, cada um tem de fazer individualmente. Quando eu, para não fazer esse trabalho de autoconhecimento, tento encontrar a resposta noutra pessoa, dificilmente viverei um amor verdadeiro, porque estou apenas a tentar tapar um buraco meu, pessoal, através do outro. Pessoalmente, acho perigosos ir buscar outra pessoa para tapar um buraco meu. Não sei qual é a diferença entre isso e roubar carteiras no metro. Uma relação de amor verdadeira ajuda a dar sentdo aos nossos medos e às nossas necessidade de crescimento e a vivê-los de uma forma não angustiada. O verdadeiro amor torna-se capaz de caminhar sobre os seus próprios pés. Não alimenta uma depêndencia.
Quando falo disto, vem-me muito à mente a imagem de uma ponte em que cada lado se mantém amparado apenas no outro lado.Não pode ser. cada lado tem de estar bem firme no seu próprio pilar para depois se poder fazer um tabuleiro de ligação. Quando cada um dos lados se ampara no outo, surgem as dependências, que é aldo muito parecido com o amor, mas que de facto é o seu oposto. E nesse plano dizem-se coisas como: « Eu amo-a muito, porque não posso viver sem ela» Mas, como dizia um rapaz que conheço: « Não posso viver sem ti não é a definição de amor, é a definição de pacemaker.»
Padre Nuno Tomar de Lemos
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