Porque nos blogs falamos daquilo que tem importância, durante algum tempo, falava dos sentimentos e coisas que lia. A vida muda e o facto de ter que adaptar-me à vida e às suas mudanças, agora vou partilhar aquilo que tenho feito para adaptar-me à minha vida de poupança. O titulo continua a adaptar-se. Picar o Porco que Dorme é largar as atitudes amorfas.
sábado, 20 de setembro de 2014
domingo, 14 de setembro de 2014
Há momentos em que só a dor nos prende à vida. entrei na banheira, girei a torneira do chuveiro, o mais quente possível, e chorei muito tempo debaixo de água. O ideal é à chuva, mas apenas resulta quando chove muito, e tem de ser num país tropical, bátegas tépidas, grossas e pesadas, dessas que limpam tudo. se não estiver a chover na altura em que vem o choro, e quase nunca está, então o melhor que uma mulher pode fazer é procurar um bom chuveiro. Chorei com pena de mim, assombrada pelo vazio que encontrei na minha alma. Chorei por não saber onde estava. Troquei a vida pelos palcos. Achei que podia fugir o amor. Enganei-me. O amor é um cão velho e tinhoso , porém obstinado, que nunca desiste. Abandonamo-lo no mato, para morrer de fome e de sede, para morrer de frio, porque queremos que morra, e dias depois ele está de regresso a casa, a abanar a cauda. Enxotamo-lo à pedrada, mas volta sempre.
José Eduardo Agualusa In , Barroco Tropical
Chego sempre demasiado cedo. Até tenho receio de morrer antes do tempo. Um dias destes morro e encontro o Senhor Deus em pijama, a longa cabeleira em desalinho, a lavar o rosto esplêndido e a escovar os dentes:
- Que porra faz você aqui?- Deus é brasileiro. Carioca, de certeza absoluta. Têm de imaginar o sotaque. -Vai embora, rapaz. Ainda não chegou a sua hora.
José Eduardo Agualusa , in Barroco Tropical
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