Nota Mental de hoje:
Arranjar a couve que me foi oferecida pela minha mãe.
Pensar em como posso aproveitar os Morangos, que estão no frigorifica arranjados ( o mais certo é serem congelados e ser utilizados para um bolo, na próxima vez que utilizar o forno)...
Picar o Porco que Dorme
Porque nos blogs falamos daquilo que tem importância, durante algum tempo, falava dos sentimentos e coisas que lia. A vida muda e o facto de ter que adaptar-me à vida e às suas mudanças, agora vou partilhar aquilo que tenho feito para adaptar-me à minha vida de poupança. O titulo continua a adaptar-se. Picar o Porco que Dorme é largar as atitudes amorfas.
segunda-feira, 13 de abril de 2015
A vida mudou...
Sempre quis viver sozinha, mas também sempre foi coisa que me apavorou.
Tinha medo de não conseguir sobreviver, pagar as contas, conseguir comer todos os dias.
Até que lá tive a coragem e me mudei.
Tenho descoberto coisas sobre mim, nos últimos tempos bastante interessantes: Andei anos a gastar dinheiro de forma descontrolada( que arrependida).
Tenho descoberto no entanto, que consigo ser muito melhor que algum dia pensei que viria a ser. Estou orgulhosa na pessoa em que estou a tornar-me. As pequenas coisas que já mudei:
Pequeno almoço, lanches para durante o dia, sempre em casa e com coisas levadas de casa.
Almoço, marmita que levo de casa e caixa e talheres são sempre lavados no trabalho ( água e gaz que poupo em casa , é só arrumar a marmita para o dia seguinte).
Telemóvel, carrego a bateria no trabalho.
Internet, não tenho em casa, utilizo no trabalho e alguma do telemóvel( mas tenho pacote mensal)
Deixei de beber café na rua, bebo em casa antes de sair, no máximo sai a 0,22€( sendo que esta semana há promoções e vou fazer stock para as próximas semanas). Enquanto estou a trabalhar, bebo café na empresa, no bar sai a 0,25€.
Não cozinho todos os dias, como faço sempre comida a mais, distribuo por doses e congelo aquilo que não vou conseguir consumir de imediato, neste momento tenho algum stock no congelador que me permite variar esta semana.
Pão descobri que congelado, retirado a parte que necessitarei para o pequeno almoço da manhã seguinte antes de me deitar , de manhã está fantástico.
Sábado, dei um jantar em casa, uma amiga minha levou um bolo que não comemos e acabou por ficar lá em casa, em qualquer outra altura deixaria endurecer e iria parar ao lixo. Agora sou incapaz de deitar comida fora e reaproveito tudo. Resultado bolo fatiado e congelado, a gestão é igual ao pão, retiro á noite o que pretendo consumir no dia seguinte. Não estrago e terei algo doce para beber com o chá no trabalho.
Banhos, de chuveiro e rápido e a água inicial , enquanto espero que aqueça, serve para lavar o chão e servir para não ter que fazer tantas descargas de autoclismo.
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
Será que é isto é é gostar?
Perguntaste-me.
-Será que é isto que é gostar?
Respondi:
- Não, gostar é guardar momentos como fotografias. É guardar palavras como poemas. É guardar abraços, como Mundos.
É ter saudades do que já não é nosso. É suspirar como quem morre. É sentir um vazio que nada nem ninguém preenchem. Mas é deixar ir quem não nos pertence, só porque há algo maior e inexplicável...
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Amor como um Trapézio
Um dia, com um sorriso tímido, que eu sabia ser sempre prenúncio de uma pergunta importante:
- Porque não tens medo do Amor e da dor que pode trazer?
Encolhi os ombros, suspirei, abri o meu sorriso e respondi-te:
- Imagino-o sempre como um trapézio, em que em cada movimento me sinto livre, mas que arrisco-me a cair. Mas sei também que tenho uma rede, lá em baixo, que são os meus amigos. Não impedem a queda, mas amortizam-na, de modo a que não me fira mais do que o necessário . Permite-me não ter medo de voltar a balançar-me.
domingo, 12 de outubro de 2014
e a morte torna-se alheia, mais pequena, distante, como vista da rua, uma silhueta no interior de uma janela acesa onde não moramos, aguarelas, estantes, pessoas e a morte com os outros, não connosco, com os outros, familiar, trazendo pratos, ajudando na ceia, ocupando um dos três lugares no sofá, amável, risonha, simpática, estudando-os sem pressa e escolhendo um deles sem que dêem conta, ao observar a fotografia de um grupo que sei que a morte é a criatura sorrindo lá ao fundo, meio apagada, que se parece com alguém amigo de quem não lembramos a idade nem o nome, um parente que esteve ali o tempo inteiro, anos seguidos, a fitar-nos do álbum e só no momento de nos vir buscar, se apresenta, discreto, delicado, ia apostar que com pena, a morte
e um estranho com um pacotinho de bolos que nos cumprimenta de fugida nas escadas ou segura a porta do elevador à nossa espera, nos pergunta para que andar vamos e se despede numa inclinação de cabeça continuando a subir, se nos detivéssemos a examiná-lo, em vez de procurar a chave na carteira, compreenderíamos que o elevador não para conforme compreenderíamos que não entrava em nenhum apartamento porque não mora aqui, apareceu de visita, lembrou-se da gente...
António Lobo Antunes in, Exortação aos Crocodilos
domingo, 5 de outubro de 2014
São As Pessoas Como Tu
São pessoas como tu que fazem com que o nada queira dizer-nos algo, as coisas vulgares se tornem coisas importantes e as preocupações maiores sejam de facto mais pequenas. são as pessoas como tu que dão outra dimensão aos dias, transformando a chuva bem delirante orvalho e fazendo do inverno uma estação de rosas rubras.
As pessoas como tu, possuem não uma, mas todas as vidas. Pessoas que amam e se entregam porque amar é também partilhar as mãos e o corpo. Pessoas que nos escutam e nos beijam e sabem transformar o cansaço numa esperança aliciante, tocando-nos o rosto com dedos de água pura, soltando-nos os cabelos com a leveza do pássaro ou a firmeza da flecha. São as pessoas como tu que nos respiram e nos fazem inspirar com elas o azul que há no dorso das manhãs, e nos estendem os braços e nos apertam até sentirmos o coração transformar o peito numa música infinita. São as pessoas como tu que não nos podem nada, mas têm sempre tudo para dar, e que fazem de nós nem ícaros nem prisioneiros, mas homens e mulheres com a estatura da vida, capazes da beleza e da justiça, do sofrimento e do amor: são as pessoas como tu que interrogando-nos, se interrogam, e encontram a resposta para todas as perguntas nos nossos olhos e no nosso coração. As pessoas que por toda a parte deixam uma flor para que ela possa levar beleza e ternura a outras mãos. Essas pessoas que estão sempre ao nosso lado para nos ensinar em todos os momentos, ou em qualquer momento, a não sentir o medo, a reparar num gesto, a escutar um violino. São as pessoas como tu que nos ajudam a transformar o mundo.
Joaquim Pessoa in Ano Comum
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
Sou a Tua Casa
Sou a tua casa, a tua rua, a tua segurança, o teu destino. Sou a maçã que comes e a roupa que vestes. Sou o degrau por onde sobes , o copo por onde bebes, o teu riso e o teu choro, o teu frio e a tua lareira. O pedinte que ajudas, o asilo que te quer acolher. Sou o teu pensamento, a tua recordação , a tua vontade. E também o artesão que para ti trabalha, o medo que te perturba e o cão que te guia quando entras na noite. Sou o sitio onde descansas, a árvore que te dá sombra, o vento que contigo se comove. Sou o teu corpo, o teu espírito, o teu brilho, a tua dúvida. Sou a tua mãe, o teu amante, o marfim dos teus dentes. E sou, na luz do outono, o teu olhar. Sou a tua parteira e a tua lápide. Os teus vinte anos. O coração sepultado em ti. Sou as tuas asas, a tua liberdade, e tudo o que se move no teu interior. Sou a tua ressaca, o teu transtorno, o relógio que mede o tempo que te resta. Sou a tua memória, a memória da tua memória, o teu orgulho, a fecundação das tuas entranhas, a absolvição dos teus pecados. O teu amuleto e a tua humildade. Sou a tua cobardia, a tua coragem, a força com que amas. Sou os teus óculos e a tua leitura. A tua música preferida, a tua cor preferida, o teu poema preferido. Sou o que significas para mim, a ternura que desagua nos teus dedos, o tamanho das tuas pupilas antes e depois de fazer amor. Sou o que sou em ti e que não podes ser em mim. Sou uma só coisa. E duas coisas diferentes.
Joaquim Pessoa , Ano Comum
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